Fóssilidades — Evgenia Emets
A artista Evgenia Emets parte do tronco fóssil de uma Araucária, localizado na povoação da Cadriceira para desenvolver o projeto “Fóssilidades”. Este achado arqueológico dos anos 80 tem cerca de 20 metros de comprimento e 1,30m de diâmetro e é datado do período Jurássico Superior época do período Jurássico da era Mesozoica do éon Fanerozoico de entre há 163,5 milhões e 145 milhões de anos, aproximadamente.
A investigação da artista apoia-se em trabalho de campo, artigos em meios impressos, consulta a arquivos e realização de entrevistas com especialistas, locais e entidades com foco no tema para refletir sobre as implicações ecológicas e culturais desta descoberta ancestral. Mais recentemente, foi identificado um novo tronco fóssil num terreno privado, o que levanta questões urgentes sobre como este património geológico pode ser reconhecido e protegido.
Na altura da descoberta, o tronco fóssil de Araucária foi enterrado novamente no solo por falta de recursos, ficando oculto em vez de preservado como património visível. Esta realidade enquadra a questão central de investigação de Emets: de que forma o conhecimento do património geológico desta região, em Torres Vedras, Serra do Socorro e Archeira, nos pode ajudar a imaginar a biodiversidade e as florestas a longo prazo, influenciando a restauração prática dos habitats naturais? O processo de trazer este tronco oculto de volta à consciência torna-se, em si, um ato de revelação.
O projeto ‘Fóssilidades’ convida a explorar histórias do passado profundo e a imaginar futuros possíveis na nossa relação com as florestas. Através da arte, ciência e encontros com a comunidade, pretende refletir sobre as transformações ecológicas e como moldamos a paisagem com as nossas ações. Caminhadas, conversas, obras visuais e documentos históricos ajudam a reimaginar a floresta não como recurso, mas como parceira viva no nosso futuro coletivo.
Evgenia Emets
Evgenia Emets (1979, Poltava, Ucrânia), vive e trabalha em Portugal (Torres Vedras). Possui mestrado em Belas Artes pela Saint Martin’s. Como artista e poeta, foca a sua prática artística sobre questões ambientais/ecológicas – que transpõe para a caligrafia, arte visual poesia, instalação, performance, e arte site-specific na natureza. Alguns dos prémios que recebeu incluem: Camara Municipal Lisboa (2022, 2023), Sustentar CiClo (2020), Bienal de Coruche (2019, 2021), CineEco Seia (2018), Prémio de Arts Council UK (2019, 2016, 2014).
O seu projeto Eternal Forest marca uma transição de integração do pensamento ecológico na sua arte – um projeto já apresentado em Portugal, Espanha, Reino Unido, Mexico: na Bienal de Coruche (2019), CI.CLO / Bienal Fotografia do Porto – Sustentar, Portugal (2020), conferência Roots & Seeds (2021), Barcelona, Espanha, Multispecies Salon, Mexico, Bienal de Cerveira, Portugal (2022), Encontro Pela Terra, Galeria Diferença, Portugal (2023). A sua obra também tem sido exposta em diversas organizações como: National Gallery de Londres, Tate Modern, Royal College of Art, Imperial College, Barbican, Museum Victoria & Albert, Roundhouse. Exposições individuais recentes: Eternal Forest, MUHNAC Lisboa, Portugal (2022) e Forest Time, Estufa Fria de Lisboa e Parque Florestal de Monsanto (2023).
A sua obra faz parte de diversas coleções como: Stella Art Foundation, MOMA (Rússia), British Library, National Poetry Library, Biblioteca de Arte Gulbenkian e várias coleções de arte na Rússia, Reino Unido, Europa e Japão.