Porque voam razo os pássaros?
Uma abordagem social de dizeres captados no instante da transumância na cidade de Torres Vedras. Ditos que se ouvem. Dizeres e pensares anónimos.
Além dos ditos, poesia e texto reflexivo.
Uma abordagem social de dizeres captados no instante da transumância na cidade de Torres Vedras. Ditos que se ouvem. Dizeres e pensares anónimos.
Além dos ditos, poesia e texto reflexivo.
O projeto do artista Márcio Carvalho tenta criar proximidades com histórias e heranças culturais relacionadas com Torres Vedras e os territórios circundantes.
O artista olha o território de Torres Vedras através da história militar e património edificado com o objetivo de entender as dinâmicas culturais na região e criar uma relação antropológica e arqueológica com o lugar partindo do Castro do Zambujal.
Carvalho identificou memórias de um povoado fortificado com um complexo sistema defensivo, o que demonstra um clima de guerra, de profundas transformações sócio-económicas e da necessidade de proteção. Inúmeros objetos em cobre que foram encontrados, sobretudo no Castro do Zambujal, sugere uma intensa atividade metalúrgica, caracterizado como o mais importante centro de fundição e comércio de minério da Estremadura portuguesa.
A investigação de Torres Vedras consiste nas ligações associadas a conflitos militares através do seu património cultural como a Guerra Peninsular, com a construção das Linhas de Torres Vedras entre 1809 e 1812 para defender Lisboa das invasões francesas; A Batalha de Roliça (1808); A Batalha de Torres Vedras durante a Guerra Civil da Patuleia (1846) e a Guerra do Ultramar (1961 – 1974).
O processo de investigação de Márcio Carvalho é, maioritariamente, realizado através de entrevistas a antigos combatentes das guerras coloniais, na tentativa de ter uma proximidade memorial com base em pessoas que viveram a guerra em primeira mão – o que influencia a pós-memória das pessoas da geração do artista (1981).
O objetivo da recolha destes dados, é a criação de uma instalação artística que convoca as memórias do território e de pessoas que lá vivem, e que funciona como um monumento que terá uma relação íntima com a arqueologia (o encontro com o passado) e sistemas de marcação da paisagem (monumentos e construções fortificadas).
O projeto fotográfico de João Henriques foi iniciado com o objetivo de explorar a imagem de paisagem através de diferentes abordagens visuais e experimentações práticas. O artista tem como propósito explorar a representação do território, entendendo a paisagem não apenas como espaço físico, mas também como construção cultural e estética.
A investigação da paisagem tem como objetivo a fotografia como experiência perceptiva para desenvolver uma série de imagens que reflitam a relação entre o olhar do observador e o território e experimentar técnicas fotográficas diversas para ampliar a expressividade das imagens.
Como método de trabalho João Henriques parte de três eixos principais, saídas de campo, para realizar deslocações a diferentes locais, áreas costeiras, zonas florestais e regiões agrícolas, do concelho de Torres Vedras, selecionados por si pelo potencial visual e pela diversidade. O segundo eixo em que se apoia o artista, consiste na experimentação técnica, onde irá testar diferentes equipamentos e configurações, visando logo na captação a exploração de possibilidades que serão ampliadas no processo seguinte. No último eixo o artista Henriques procede a um registo do processo através de anotações reflexivas sobre impressões e escolhas criativas, efetuadas a par das diferentes leituras e investigações.
A artista Evgenia Emets parte do tronco fóssil de uma Araucária, localizado na povoação da Cadriceira para desenvolver o projeto “Fóssilidades”. Este achado arqueológico dos anos 80 tem cerca de 20 metros de comprimento e 1,30m de diâmetro e é datado do período Jurássico Superior época do período Jurássico da era Mesozoica do éon Fanerozoico de entre há 163,5 milhões e 145 milhões de anos, aproximadamente.
A investigação da artista apoia-se em trabalho de campo, artigos em meios impressos, consulta a arquivos e realização de entrevistas com especialistas, locais e entidades com foco no tema para refletir sobre as implicações ecológicas e culturais desta descoberta ancestral. Mais recentemente, foi identificado um novo tronco fóssil num terreno privado, o que levanta questões urgentes sobre como este património geológico pode ser reconhecido e protegido.
Na altura da descoberta, o tronco fóssil de Araucária foi enterrado novamente no solo por falta de recursos, ficando oculto em vez de preservado como património visível. Esta realidade enquadra a questão central de investigação de Emets: de que forma o conhecimento do património geológico desta região, em Torres Vedras, Serra do Socorro e Archeira, nos pode ajudar a imaginar a biodiversidade e as florestas a longo prazo, influenciando a restauração prática dos habitats naturais? O processo de trazer este tronco oculto de volta à consciência torna-se, em si, um ato de revelação.
O projeto ‘Fóssilidades’ convida a explorar histórias do passado profundo e a imaginar futuros possíveis na nossa relação com as florestas. Através da arte, ciência e encontros com a comunidade, pretende refletir sobre as transformações ecológicas e como moldamos a paisagem com as nossas ações. Caminhadas, conversas, obras visuais e documentos históricos ajudam a reimaginar a floresta não como recurso, mas como parceira viva no nosso futuro coletivo.